Resumo
O artigo aborda como acalmar o bebê na ausência da mãe sem recorrer a chupetas ou mamadeiras, que podem prejudicar a amamentação e a saúde. A primeira orientação destaca que o bebê tem como necessidade primária o contato físico, mais importante que a sucção. O toque e a proximidade transmitem segurança e conforto.
A segunda dica ressalta que acolher o choro é essencial. O bebê não chora por “manha”, mas para comunicar necessidades. O cuidador deve oferecer presença amorosa, permitindo que a criança se acalme no seu próprio tempo. A terceira orientação enfatiza a importância do vínculo com o novo cuidador. Na ausência materna, é fundamental que este se disponibilize emocionalmente e assuma o papel de “maternar”, atendendo tanto às necessidades físicas quanto afetivas.
Por fim, o texto reflete sobre desafios culturais e estruturais, como o uso difundido de bicos artificiais e a licença-maternidade insuficiente, defendendo que o bebê precisa, acima de tudo, de acolhimento e cuidado amoroso.
Gabrielle Gimenez*
Saiba como oferecer acolhimento ao bebê sem recorrer a bicos artificiais e entenda a importância do vínculo com o cuidador.

Quando a mãe não está presente, muitos cuidadores e familiares ficam em dúvida sobre como acalmar o bebê de forma eficaz e carinhosa. Na nossa cultura a chupeta é o método para acalmar o bebê por excelência. Porém, esse objeto pode ter implicações negativas para a amamentação e a saúde da criança.
Aqui estão três pontos essenciais para quem deseja oferecer um cuidado que prioriza o conforto e o bem-estar do bebê, sem depender de alternativas artificiais, como a chupeta e/ou mamadeira.
1. Contato é a Necessidade Primária do Bebê
O bebê tem uma necessidade natural de contato físico, que é sua prioridade. A sucção é uma necessidade secundária e, idealmente, não deveria ser suprida sem o contato e o toque humano. Proporcionar contato físico é a melhor forma de acalmar e confortar o bebê na ausência da mãe.
2. Acolher o Choro é Mais Importante que Pará-lo
Os cuidadores devem responder prontamente ao choro do bebê, acolhendo-o até que ele se acalme. A intenção aqui é oferecer segurança e conforto, e não apenas interromper o choro. A duração do processo depende do motivo do choro, mas a presença amorosa é essencial para que o bebê se sinta acolhido. Bebês não choram por “manha”!
3. A Vinculação com o Novo Cuidador é Crucial
Quando mãe e bebê se separam, o vínculo com o novo cuidador torna-se ainda mais importante. Esse vínculo depende da disponibilidade emocional do cuidador, que precisa assumir o papel de “maternar” o bebê, atendendo suas necessidades emocionais e físicas. Isso não é uma questão de costume, mas sim de uma necessidade biológica do bebê.
Reflexão
Entender isso é importante porque a nossa cultura tem assumido que a única maneira de acalmar o bebê é com o peito ou chupeta. Se a mãe não está, então a opção óbvia é a chupeta. Também se tem muita dificuldade de lidar com o choro e enorme urgência em calá-lo. E aí outra vez a chupeta aparece como grande opção de solução rápida e eficiente. Mas, e as consequências do seu uso?
Desafios Culturais e Estruturais
Ainda enfrentamos grandes desafios quando o assunto é o cuidado do bebê em ambientes como creches e escolinhas, onde a introdução de bicos artificiais, como chupetas e mamadeiras, ainda é uma prática comum. A cultura da mamadeira e da chupeta é difícil de derrubar, e nem todas as mães conseguirão evitar a introdução de bicos na vida do bebê por diversos fatores.
Com a licença-maternidade insuficiente e aquém do recomendado e a falta de pessoal nas instituições de cuidado infantil, é importante refletir em família e como sociedade sobre como podemos oferecer ao bebê o que ele realmente precisa: cuidado e acolhimento amoroso.
Conclusão:
Questionar os paradigmas culturais à luz das evidências é um conhecimento libertador e empoderador para quem assumirá os cuidados do bebê na ausência materna. Elimina a “obrigação” de manter o bebê calado (bebês choram!), e incentiva a entrega e o cuidado amoroso que terá sua recompensa: um bebê tranquilo porque se sente amado e seguro com o seu cuidador.
* Gabrielle @gabicbs é Puericultora, mãe de três, editora especial do portal aleitamento.com e autora do livro “Leite Fraco? – Guia prático para uma amamentação sem mitos”.