Resumo
Recebemos com tristeza a notícia do falecimento de Luis Fernando Veríssimo, escritor gaúcho que marcou gerações com sua inteligência, humor refinado e crítica social. No portal aleitamento.com, três de seus textos foram lembrados pela relevância e pela delicadeza com que abordaram temas ligados à saúde e amamentação. Entre eles, destaca-se “Descida do leite”, no qual Veríssimo trata, com sua ironia característica, do reflexo de ejeção do leite materno, explorando a experiência feminina quando o bebê não está sugando. Outro é “Sou antitransgênico desde pequenininho” (publicado em 2003 como “Dois lados”), no qual contrapõe argumentos a favor e contra os alimentos geneticamente modificados, concluindo, com humor, que sua escolha se guia pela “simpatia”.
O terceiro texto, “Seios”, republicado em sua homenagem, mistura ciência, cultura e humor para refletir sobre a função e o simbolismo das mamas femininas. Veríssimo ironiza teorias evolutivas, discute aspectos estéticos e sexuais, mas também ressalta o papel essencial de apoio aos lactentes humanos, desmistificando a ideia de que tamanho determina produção de leite.
Sua escrita transformava temas cotidianos em reflexões profundas, sempre com leveza. Deixamos aqui nossa homenagem e saudade desse grande brasileiro que tanto contribuiu para a literatura e para a sensibilidade social.
Com muita tristeza recebemos a notícia do desencarne do nosso ídolo (e nosso cronista J) Luis Fernando Veríssimo, escritor gaúcho, um gênio criador que nos enriquece com o seu bom humor e crítica social…
No nosso portal www.aleitamento.com publicamos 3 artigos que merecem a nossa releitura:

– “Descida do leite” – o reflexo de ejeção mediado pelo hormônio ocitocina do ponto de vista da mulher que não está com o seu bebê sugando a sua mama…
– “Sou ANTI-TRANSGÊNICO desde pequenininho” – “um lado diz que ainda não se sabe o bastante sobre os efeitos de grãos geneticamente modificados na saúde das pessoas e do ambiente para liberá-lo, o outro diz que está cientificamente provado que transgênico não faz mal e se opor a ele é se opor ao progresso. Já que nós, os leigos sem argumentos, não sabemos que lado está mentindo ou tem razão, só nos resta escolher o lado mais simpático. E, no quesito simpatia, sou antitransgênico desde pequeninho”. (Com as sucessivas reformulações do portal esse texto não está mais disponível L). O artigo original chama-se “Dois lados” de 23/10/2003
– “SEIOS” – os seios dão apoio imprescindível aos bebês na hora das refeições; artigo postado em 2011 e que republicaremos hoje em sua homenagem e para que possamos aprender e nos divertir com seu bom humor.
SEIOS
Para não dizerem que eu só escrevo sobre frivolidades como a situação internacional e as últimas razões da existência, hoje vou tratar de um assunto sério: o seio.
Para começar, por que existe o seio? Ele não está presente, ao menos não com a mesma, assim, proeminência, nos primatas que nos antecederam. É mesmo difícil lembrar outro animal que tenha seio. Quem disse “Vaca!” está obviamente tentando tumultuar. Retire-se da sala imediatamente.
Especula-se que quando nossos antepassados — ou, no caso, antepassadas — começaram a andar sobre dois pés na savana primeva, sacrificaram seu principal atrativo para os machos da sua espécie, que já naquele tempo (pelo menos os brasileiros) só pensavam nisso: a bunda empinada. À frente, e não mais as costas, da pré-mulher passou a concentrar todos os seus chamarizes sexuais quando ela virou bípede. Era preciso ter um equivalente da bunda na frente e por isso nasceram os seios. Eles seriam uma bunda que subiu na vida. A teoria não é minha, portanto não aceito protestos.
Outra teoria atribui o desenvolvimento de nádegas frontais ao fato das nossas antepassadas, ao deixarem a fase macaca, mas ainda muito longe de chegarem à fase Gisele Bündchen, terem perdido grande parte do cabelo do corpo. Ou seja: quando o bebê ia mamar na mãe não tinha mais — epa, opa — onde se segurar. Os seios vieram para dar aos bebês o que agarrar, ou no mínimo uma sensação de apoio e tranquilidade, imprescindível na hora das refeições.
Pois é falsa a ideia de que o tamanho dos seios tenha algo a ver com a quantidade de leite da mãe. O leite está presente nas lactantes independentemente do seu equipamento mamário e para o aleitamento bastam os mamilos. Os seios existiriam, assim, por razões estéticas, sexuais e práticas (o conforto de bebês inseguros e, claro, de adultos com a mesma carência) e para dar dinheiro a cirurgiões plásticos e fabricantes de silicone. A amamentação seria uma função secundária.
Não sei se você já se deu conta que o leite materno é o único alimento produzido pela natureza exclusivamente para a gente. Todos os outros estão na Terra para serem compartilhados com outras espécies, inclusive o leite materno de outras espécies. Há, claro, alimentos feitos ou descobertos pelo homem que nenhum outro animal come, como o caviar — ou pensando bem, a lesma, que só deve ser comida por outras lesmas, e assim mesmo figurativamente. Mas original e exclusivo, só o leite da mãe. Que, mal-agradecidos, tomamos por pouco tempo e logo abandonamos. Em outro escandaloso exemplo de desperdício de recursos naturais.
Nossa homenagem e saudade desse grande brasileiro!
Prof. Marcus Renato de Carvalho