Livro: Paternidade e saúde mental Psiquismo e transformações na parentalidade
Resumo
O livro “Paternidade e Saúde Mental: Psiquismo e Transformações na Parentalidade”, de Arianne Angelelli, mergulha nas complexas dimensões emocionais e sociais do tornar-se pai. A autora, psiquiatra psicodinâmica, combina teoria psicanalítica e experiência clínica para revelar como a paternidade contemporânea é atravessada por crises de identidade, solidão e falta de suporte social. Angelelli aborda o paradoxo entre o discurso da “paternidade ativa” e a ausência paterna real, refletida até nos registros civis. O livro denuncia a invisibilidade do pai nos serviços de saúde perinatal e as limitações das políticas públicas, como a licença-paternidade insuficiente. Reconhece múltiplas formas de paternar e convoca profissionais e sociedade a enxergarem o pai como sujeito de cuidado e vulnerabilidade. Com sensibilidade e rigor, a obra propõe repensar a paternidade como travessia humana, feita de medo, amor e reinvenção — essencial para o nascimento não só de filhos, mas também de famílias mais saudáveis.
Não é fácil Torna-se Pai!
Arianne Angelelli além de Psiquiatra Psicodinâmica é uma escritora, pois torna o relato acadêmico de fácil compreensão e expõe teorias psicanalíticas que exemplifica em situações cotidianas de casais que acolhe. Uma leitura saborosa que te envolve já desde o começo com a história do forte e grande, mas cuidadoso São Cristóvão e o sincretismo com Xangô e suas simbologias, principalmente sobre o “peso” da paternidade…

Esse livro que surgiu não só de uma pesquisa sobre parentalidade, mas com algumas décadas de escuta clínica, focando o papel do pai, principalmente sua saúde mental, suas peculiaridades e repercussões sobre o homem, a mulher e os filhos é necessário para todos os profissionais de saúde perinatal.
Discute o paradoxo dos movimentos crescentes que descobriram a paternidade “ativa” versus a ausência do nome do pai em dezenas de milhares de registros de nascimento a cada ano.
A crise na estrutura patriarcal, nos modelos de cuidado, na ausência da família ampliada que compunha uma rede de apoio, levam ao adoecimento psíquico masculino quando se tornar pai sem suportes, pode significar uma rota de fuga, de negação: a esquiva paterna ou a violência doméstica.
A Mestre em Psicologia acende uma luz sobre essas questões, e com uma lente de aumento revela a complexidade das relações familiares, sociais, culturais, psíquicas envolvidas nessa adoção paterna, porque todo filho, mesmo biológico precisa ser adotado.
Nota o despreparo dos trabalhadores da saúde que centram sua atenção na puérpera/lactante e no recém-nascido/lactente, e o novo pai não é visto, ouvido, convocado…
Esse universo vai mais além de nossas histórias parentais e se confronta com políticas públicas insuficientes: com apenas 5 dias corridos de licença-paternidade (isso quando o trabalhador não é autônomo ou precarizado) não há tempo para criação de vínculos, de presença, de dispensar os cuidados necessários ao binômio mãe-bebê.
O respeito e atenção das múltiplas maternidadeS e paternidadeS que na contemporaneidade se tornam mais visíveis e lutam por direitos também são abordados.
Décio Noronha, Obstetra, afirma que quando assistimos um parto, presenciamos quatro nascimentos: nasce uma criança, nasce uma mãe, nasce um pai, nasce uma família. E éimportante que não deixemos de lado a assistência ao desenvolvimento desses novos papéis psicossociais que surgiram.
No silêncio dos berços e nas ausências que ecoam,
o livro revela o pai — presença essencial, muitas vezes preterida.
Entre alegrias e abismos, fala-se da dor que cala,
da depressão que veste o silêncio masculino.
A esquiva paterna, ativa ou sutil, fere laços que não nascem.
Mas há também ternura, reinvenção, cuidado que aprende.
Pais de sangue, de escolha, de afeto — todos cabem.
A paternidade é travessia: amadurecer, adoecer, renascer.
É abraço que sustenta, mesmo com medo.
É tempo de romper mitos, dividir pesos, curar feridas.
Para que o pai, enfim, encontre seu lugar no começo da vida.
Muito honrado com o convite de ser um dos prefaciadores, é um livro que recomendamos e que sirva de conteúdo para as capacitações tão necessárias nos serviços de saúde. Dra. Arianne junto com a Dra. Honorina escreveram um capítulo primoroso intitulado “Depressão e Amamentação” na 5a edição do Amamentação – Bases Científicas – Grupo GEN, 2025.
Parabéns, querida amiga Arianne!
Marcus Renato de Carvalho, Pediatra, Docente da Faculdade de Medicina da UFRJ, Coordenador da Campanha de Valorização do Cuidado Paterno desde 2003, pai da Clara e da Sophie.
- Prefácio 1 – Alexandre Coimbra Amaral
- Prefácio 2 – Marcos Piangers
- Prefácio 3 – Marcus Renato de Carvalho (que vocês acabarem de ler)
Características do livro:
- ISBN 9788520466681
- Número de páginas 270
- Encadernação Brochura
- Ano de publicação 2025 – Manole Editora