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SBP X ABENFO: atendimento ao RECÉM-NASCIDO na CESARIANA

Por: Prof. Marcus Renato de Carvalho, UFRJ

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É NECESSÁRIA a PRESENÇA de PEDIATRA para ASSISTÊNCIA ao RECÉM-NASCIDO de

CIRURGIA CESARIANA?

 

Veja a polêmica científica entre a PEDIATRIA e a ENFERMAGEM:

 

Presidência da SBP solicita que cada pediatra manifeste sua opinião sobre a Consulta Pública – Cuidado ao Recém-Nascido na Sala de Parto

A presidência e a coordenação do Programa de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) consideram de fundamental importância a participação dos pediatras brasileiros até 13 de maio na CONSULTA PÚBLICA Nº 08 http://conitec.gov.br/index.php/consultas-publicas

Proposta de elaboração das “Diretrizes de Atenção à Gestante: a Operação Cesariana” que inclui o Capítulo 5 – Cuidado do Recém-Nascido (peculiaridades da operação cesariana).

Nesse relatório, a CONITEC – Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (páginas 62 e 63) considera que não há necessidade de pediatra na sala de parto em cesariana, quando o feto está a termo, na ausência de sofrimento fetal e na ausência de situação de risco para gestante; e recomenda em gestantes que serão submetidas à cesariana sob anestesia geral ou se tiver evidência de sofrimento fetal, a presença de um profissional adequadamente treinado em reanimação, médico ou enfermeiro.” Recomendação final (página 15 e 63): “É recomendada a presença de um profissional adequadamente treinado em reanimação neonatal em cesariana realizada sob anestesia geral ou se tiver evidência de sofrimento fetal”.

Essa recomendação não está baseada nas melhores evidências científicas disponíveis.

Estudo prospectivo nacional realizado em 35 maternidades públicas de 20 capitais brasileiras comparou a assistência ao nascer de 6.929 recém-nascidos a termo (37-41 semanas) de apresentação cefálica sem anomalias congênitas: 2.087 RN de parto cesárea não-urgente sob anestesia regional versus 4.842 RN de parto vaginal não instrumental. Necessitaram de ventilação com balão e máscara para iniciar a respiração: 4,7% nascidos de cesárea não-urgente e 3,3% nascidos de parto vaginal; e de ventilação por intubação traqueal: 0,3% nascidos de cesárea e 0,4% nascidos de parto vaginal. Nascer de operação cesariana não urgente aumenta o risco em 42% (IC 95%: 7-89%) da necessidade de ventilação com balão e máscara em relação ao parto vaginal em recém-nascidos de termo (Arch Dis Child Fetal Neonatal Ed 2010;95:F326-30).  

A necessidade de reanimação neonatal pode ocorrer mesmo tratando-se de parturientes de baixo risco, e a demora em iniciar a reanimação ou a utilização de manobras inadequadas pode aumentar a morbimortalidade neonatal e as sequelas neurológicas (Portaria SAS/MS 371/2014).O risco de morte ou morbidade aumenta em 16% a cada 30 segundos de demora para iniciar a ventilação com pressão positiva até o 6º minuto após o nascimento, independentemente do peso ao nascer, da idade gestacional ou de complicações na gravidez ou no parto (Resuscitation 2012;87:869-73). 

Dessa maneira, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que a assistência ao recém-nascido na sala de parto seja realizada pelo melhor profissional capacitado, ou seja, o pediatra treinado em todos os procedimentos de reanimação neonatal. A SBP entende que, nos locais distantes dos grandes centros, em que a presença do pediatra não é possível, o recém-nascido tem o direito ao melhor atendimento disponível por outro profissional habilitado em ventilação com balão e máscara, cuja atenção esteja voltada exclusivamente para o mesmo.

Eduardo da Silva Vaz

Presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)  

Maria Fernanda B de Almeida e Ruth Guinsburg

Coordenadoras do Programa de Reanimação Neonatal da SBP

 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA de ENFERMAGEM OBSTÉTRICA também se posiciona:

 

A ABENFO encaminha texto que poderá subsidiar posicionamento quanto ao atendimento ao recém-nascido, em caso de operação cesariana.

 

Solicitamos divulgação. Reiteramos a importância da participação na Consulta Púbilica

 

CONSULTA PÚBLICA CONITEC.

Posicionamento em relação ao atendimento ao recém-nascido, em caso de operação cesariana.

Considerando que:

·         Aproximadamente 90% dos recém-nascidos têm uma transição para a vida extra-uterina sem qualquer dificuldade e demandam pouca ou nenhuma assistência neste momento (KATTWINKEL et al, 2010). No entanto, cerca de 10% dos recém-nascidos requerem alguma assistência para iniciar sua respiração ao nascimento e destes, menos de 1% demanda reanimação mais complexa para sobrevivência (PERLMAN, 1995; BARBER, 2006).

·         A ventilação pulmonar é o procedimento mais simples, importante e efetivo na reanimação do recém-nascido em sala de parto (Almeida, Guinsburg, 2013), podendo ser necessária para o início ou manutenção dos movimentos respiratórios.

·         Os achados de HOGSTON (1987) e JACOB, PFENNINGER (1997), estudos citados na Diretriz proposta, concluíram que não há necessidade de pediatra de rotina em cesariana de fetos em apresentação cefálica (e não fetal, como refere o documento) e na ausência de sofrimento fetal (qualidade de evidencia 3).

·         Em um estudo nacional, transversal (ALMEIDA et al, 2010) verificou-se que o parto cesáreo, entre 37 e 39 semanas de gestação, mesmo sem fatores de risco antenatais para asfixia, aumenta o risco de realização de ventilação com pressão positiva  ao nascer, indicando a necessidade de profissional capacitado para realizar a VPP no momento do nascimento.

·         A Nota Técnica 16/2014 – CRIALM/DAPES/SAS/MS que trata da normatização técnica para capacitação de profissionais médicos e de enfermagem em reanimação neonatal para atenção a recém-nascidos no momento do nascimento em estabelecimentos de saúde do âmbito do SUS, considera capacitados para realização deste procedimento médicos e enfermeiros que tenham realizado o treinamento teórico-prático conforme orientado nesta mesma Norma Técnica.

·         O resumo das evidências do Relatório de recomendação sobre a proposta de elaboração das diretrizes de atenção à gestante: a operação cesariana (p. 63) aponta que “ Apesar das evidências encontradas sobre a necessidade de pediatra na sala de parto em cesarianas serem de baixa qualidade com pequena amostra, observa-se que poucos casos necessitam de reanimação vigorosa”.

Assim, reitera-se a recomendação da Diretriz apresentada, a qual reitera que em uma operação cesariana, quando o feto está a termo, na ausência de sofrimento fetal e na ausência de situação de risco para gestante, o recém-nascido seja atendido por profissional capacitado em reanimação neonatal, não sendo, portanto, imperativa a presença de médico pediatra.

Também, indica-se alteração do texto Recomendação, como descrito a seguir.

No texto do Relatório de recomendação sobre a proposta de elaboração das diretrizes de atenção à gestante: a operação cesariana (p. 63), encontra-se a seguinte recomendação: “É recomendada a presença de um profissional adequadamente treinado em reanimação neonatal em cesariana realizada sob anestesia geral ou se tiver evidência de sofrimento fetal”.

Indica-se a seguinte alteração:

Recomendação - em uma operação cesariana, quando o feto está a termo, na ausência de sofrimento fetal e de situação de risco para gestante, o recém-nascido seja atendido por profissional capacitado em reanimação neonatal, não sendo, portanto, imperativa a presença de médico pediatra. Contudo, no centro cirúrgico, em gestantes que serão submetidas à cesariana sob anestesia geral, é recomendada a presença de um profissional adequadamente treinado em reanimação neonatal, conforme Nota Técnica 16/2014, já citada.

Referências

Kattwinkel J, Perlman JM, Aziz K, et al. Part 15: neonatal resuscitation: 2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation 2010;122:S909–19

Perlman JM, Risser R. Cardiopulmonary resuscitation in the delivery room: associated clinical events. Arch Pediatr Adolesc Med. 1995;149:20–25.

Barber CA, Wyckoff MH. Use and efficacy of endotracheal versus intravenous epinephrine during neonatal cardiopulmonary resuscitation in the delivery room. Pediatrics. 2006;118:1028–1034.

Almeida MFB, Guinsburg R. Programa de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria: condutas 2013 acesso em 09/05/2015. Disponível em: http://www.sbp.com.br/pdfs/PRN-SBP-ReanimaçãoNeonatal-atualização-1abr2013.pdf

Hogston P. Is a paediatrician required at caesarean section? European journal of obstetrics, gynecology, and reproductive biology. 1987 Sep;26(1):91-3. PubMed PMID: 3666267. Epub 1987/09/01. eng.

Jacob J, Pfenninger J. Cesarean deliveries: when is a pediatrician necessary? Obstetrics and gynecology. 1997 Feb;89(2):217-20. PubMed PMID: 9015023. Epub 1997/02/01. eng.

ALMEIDA, MFB et al. Non-urgent caesarean delivery increases the need for ventilation at birth in term newborn infants.Archives of Disease in Childhood-Fetal and Neonatal Edition, 2010, fetalneonatal174532.

Aleitamento.com pergunta:

Qual a sua opinião?

 

A presença do Pediatra é obrigatória ou de um profissional capacitado em Reanimação Neonatal?

 


Última atualização: 15/5/2015

 

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