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PORTUGAL: ENFERMEIRA DEFENDE TESE de DOUTORADO em ALEITAMENTO

Por: Prof. Marcus Renato de Carvalho

 

Aleitamento Materno:Estabelecimento e Prolongamento da Amamentação

Intervenções para o seu sucesso. ICBAS-UP. Porto.Pereira, MA (2004).

 

Resumo

Os factores associados ao sucesso do AM são vários e actuam em momentos diferentes nomeadamente antes e durante a gravidez, durante e após o parto e ainda depois da alta clínica. As intervenções aumentam o sucesso do AM.

A investigação intitulada "Aleitamento Materno: Estabelecimento e Prolongamento da Amamentação – intervenções para o seu sucesso", pretendeu dar resposta aos objectivos: 1. Identificar os principais factores determinantes do sucesso do aleitamento, nos períodos pré-gestacional, durante a gestação, ante-parto, parto, pós-parto e após a alta durante o primeiro ano de vida da criança; 2. Avaliar a influência da correcção da pega no sucesso do AM exclusivo, do AM complementado e do AM total, (sendo o sucesso definido em dias de duração); 3. Identificar os diferentes tipos de mamilo; 4. Comparar a influência dos diferentes tipos de mamilo no sucesso do aleitamento.

Participantes e Métodos: Estudo de coorte, seguida desde o terceiro trimestre de gestação até ao primeiro ano de vida da criança, (nenhuma díade abandonou o estudo) com intervenção, prospectivo, aleatório e dupla ocultação, realizado na população da região Vale do Sousa. Amostra 60 díades (n=14; n=30; n=16 respectivamente grupo de pega corrigida/correcta/incorrecta). Após a observação e avaliação dos sinais de pega, utilizando protocolo do UNICEF (1992) a intervenção consistiu na correcção da pega nas díades do grupo A, seguindo as outras as rotinas do serviço. Instrumentos utilizados: a) Questionários de auto-resposta para caracterização: da amostra; das atitudes maternas face à gravidez e à amamentação; expectativas maternas face ao bebé ao 2º e 30º dia de vida. b) Grelha do UNICEF de observação e avaliação na primeira mamada; c) Grelha para classificação do tipo de mamilo e d) Entrevistas telefónicas para avaliar a situação do aleitamento materno e causas de desmame parcial e total.

 

 

Resultados: Observou-se homogeneidade entre os grupos relativamente às características da amostra, atitudes maternas face à gravidez e amamentação, expectativas maternas face ao bebé ao 2º e 30º dia, tipo de mamilo, número de dificuldades na primeira mamada, causas de desmame total. Foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos e as variáveis: o bebé arrastou-se para a mama e começou a mamar (p=0,001), causas de desmame parcial e a duração do AM exclusivo, média± desvio padrão (139±12 dias; 98±10; 48±14), p<0,001; AM complementado (133±20; 88±17; 57±14), p<0,001 e AM total (272±29; 187±22; 105±19), p<0,001 respectivamente no grupo de pega corrigida/correcta/incorrecta.

Aos 30 dias amamentavam em exclusivo vs complementado (100%; 86,7%; 50%) vs (0%; 10%; 25%); aos 90 dias (85,7%; 56,7%; 25%) vs (14,3%; 20,3%; 31,3%) aos 180 dias (21,4%; 3,3%; 0%) vs (57,1%; 47,7%; 25%) aos 365 (50%; 20%; 0%) respectivamente grupo de pega corrigida/correcta/incorrecta.

Encontraram-se diferenças estatisticamente significativas na associação entre a duração do AM e as variáveis: "com quem fica a criança após licença maternidade"; "existência de problemas durante a gravidez" e "tipo de problemas"; "bebé arrastou-se para a mama e começou a mamar"; "correcção da pega na primeira mamada"; "causas de desmame parcial" e "tipo de aleitamento durante o primeiro ano de vida".

Conclusões:

A intervenção realizada foi eficaz, ou seja, neste estudo a correcção da pega, aumentou o número de dias de AM exclusivo, AM complementado e AM total e aumentou a percentagem de mães que amamentaram em exclusivo e não exclusivo durante o primeiro ano de vida. Foram identificados factores anteriores e após o parto e depois da alta clínica que influenciam o sucesso do AM. Na primeira mamada os bebés que se arrastaram para a mama e começaram a mamar fizeram sempre pega correcta. O tipo de mamilo não influenciou a correcção da pega nem o sucesso do AM, o médico foi o principal responsável pelo desmame parcial, as causas de desmame parcial precoce influenciam a duração do AM exclusivo, do AM complementado e do AM total.

 

Conclusões

Os resultados deste estudo sugerem que a correcção da pega na primeira mamada aumenta o sucesso do AM, quer do exclusivo, do AM complementado e do AM total e aumenta também a percentagem de mães que amamenta em exclusivo ou de forma complementada.

Esta investigação permitiu concluir que:

As taxas de AM exclusivo, complementado e AM total são mais elevadas no grupo de pega corrigida do que as encontradas em todos os estudos nacionais e na maioria dos internacionais.

    * A correcção da pega na primeira mamada aumenta o sucesso do AM exclusivo, avaliado pela comparação entre as médias± desvios padrão nos três grupos (139±12 dias; 98±10; 48±14, respectivamente pega corrigida, correcta e incorrecta) (
      X2=15,98, p<0,001).

    * A correcção da pega na primeira mamada aumenta o sucesso do AM complementado as médias± desvios padrão foram (133±20; 88±17; 57±14 respectivamente no grupo de pega corrigida/correcta/ incorrecta), (
      X2=6,46, p<0,001).

    * A correcção da pega aumenta o sucesso do AM total assim as médias± desvios padrão de dias foram (272±29; 187±22; 105±19 respectivamente no grupo de pega corrigida/correcta/incorrecta), (
      X2=13,75, p<0,001).

    * Amamentavam em maior percentagem as mães do grupo de pega corrigida, assim aos 30 dias amamentavam em exclusivo vs não exclusivo (100%; 86,7%; 50%) vs (0%; 10%; 25%); aos 90 dias (85,7%; 56,7%; 25%) vs (14,3%; 20,3%; 31,3%) aos 180 dias (21,4%; 3,3%; 0%) vs (57,1%; 47,7%; 25%) aos 365 (50%; 20%; 0% respectivamente grupo de pega corrigida/correcta/incorrecta).

    * Os bebés tiveram comportamento diferente quando foram colocados no abdómen da mãe (
      X2=13,47 p=0,001). Os que se arrastaram do abdómen até à mama começaram a mamar fizeram todos pega correcta. Este facto associou-se positivamente ao sucesso do aleitamento (Z= -2,49, p=0,01; Z= -1,96, p=0,05; Z= -2,70, p=0,007, AM exclusivo, AM complementado e AM total).

    * As causas de desmame parcial influenciam o sucesso do aleitamento, (
      X2=25,07 p<0,001; X2=12,82 p=0,002; X2=24,81, p<0,001 respectivamente AM exclusivo, AM complementado e AM total).

    * A duração do AM total foi diferente entre os grupos quando analisada com a variável "Depois da licença da maternidade com quem fica a criança" (Z= -2,03, p=0,04).

    * A duração do AM exclusivo foi diferente quando associada à variável "algum problema preocupou a mãe na gravidez", sendo as diferenças estatisticamente significativas (Z= -2,23, p=0,03).

    * O "tipo de problemas que preocupam a mãe durante a gravidez" influencia a duração do AM complementado (Z= -2,16, p=0,03).

    * O tipo de aleitamento praticado pela mãe ao longo do primeiro ano de vida, influencia o sucesso do aleitamento exclusivo, complementado e AM total nos diversos momentos avaliados. Assim ao 2º dia de vida influencia o sucesso do aleitamento exclusivo, (Z=5,78; p=0,02); Ao 15º dia de vida influencia o sucesso do aleitamento exclusivo e AM total (
      X2= 22,89, p<0,001; X2=13,15 p=0,001); Ao 30º dia de vida não influencia o sucesso do AM complementado (X2=6,21, p=0,05), mas apresentou valores bordeline aos aceitáveis nestes estudo, e influencia o sucesso do aleitamento exclusivo e AM total (X2=28,58, p<0,001; X2=19,71, p<0,001). Nos momentos de avaliação ao 60º dia, 90º, 120º, 150º, 180º, 270º e 365º o tipo de leite praticado (exclusivo ou complementado ou artificial) influencia o sucesso do AM quer exclusivo, AM complementado e AM total, sendo as diferenças estatisticamente significativas.

    * Aos 90 dias a probabilidade de continuar a fazer AM exclusivo foi de 0,86±0,09; 0,56±0,09; 0,25±0,11, respectivamente no grupo de pega corrigida/correcta/incorrecta, e segundo a mesma ordem, o valor da mediana de 157 (erro padrão=13 dias); 127 (erro padrão=17 dias); 15 (erro padrão=8 dias). Foram encontradas diferenças significativas entre os grupos (teste de Log-Rank; p=0,0002).

    * Aos 90 dias a probabilidade de continuar a fazer AM complementado foi de 0,64±0,13; 0,33±0,09; 0,25±0,11, respectivamente grupo de pega corrigida/correcta/incorrecta, sendo a mediana 148 dias; 35 (erro padrão=27 dias); 45 (erro padrão=20 dias). Foram encontradas diferenças significativas entre as probabilidades de continuarem o AM complementado entre os grupos (teste de Log-Rank p=0,01).

    * Aos 180 dias a probabilidade de continuarem a fazer AM total foi de 0,78±0,11; 0,40±0,09; 0,25±0,11, estando 50% das mulheres a amamentar aos 275 dias; 152 (erro padrão=10 dias); 82 (erro padrão=22). Os grupos estudados tiveram probabilidades diferentes de continuarem a amamentar (teste de Log-Rank; p=0,0002.

 

Os resultados permitem confirmar as seguintes hipóteses:

H2 - Existe associação entre as atitudes maternas durante a gravidez e o sucesso do AM exclusivo, do AM complementado e do AM total, confirmou-se parcialmente.

H7 - Existe associação entre as causas de abandono parcial do AM e o sucesso no AM exclusivo, AM complementado e AM total.

H8 – Existe associação entre o tipo de alimentação do bebé durante o primeiro ano de vida e o sucesso do AM exclusivo, do AM complementado e do AM total.

H10 - Existe associação entre a correcção da pega na primeira mamada e o sucesso do AM exclusivo, do AM complementado e do AM total durante o primeiro ano de vida.

Não foram encontradas diferenças significativas entre a correcção da pega na primeira mamada e o sucesso do AM exclusivo, do AM complementado e do AM total e as seguintes variáveis: caracterização da amostra (idade, escolaridade, ocupação materna, nível socioeconómico); atitudes maternas face à gestação (em parte); atitudes maternas face à amamentação (atitude perante o comportamento, norma subjectiva, decisão); expectativas maternas face ao bebé ao 2º e 30º dia de vida do bebé; tipo de mamilo; características do recém-nascido; problemas relacionados com a mãe e com o bebé ao longo do primeiro ano de vida; causas de desmame total.

 

Não se confirmando as seguintes hipóteses de investigação:

H1 – Os factores de natureza pessoal, familiar e social que actuam no período antecedente e concomitante à gravidez favorecem o sucesso do AM exclusivo, do AM complementado e do AM total, durante o primeiro ano de vida.

H3 – Existe associação entre as atitudes maternas face à amamentação e o sucesso do AM exclusivo, do AM complementado e do AM total, durante o primeiro ano de vida.

H4 – Existe associação entre as expectativas maternas face ao bebé ao 2º e ao 30º dia de vida e o sucesso do AM exclusivo, do AM complementado e do AM total, durante o primeiro ano de vida.

H5 – O tipo de mamilo influencia a correcção da pega na primeira mamada e o sucesso do AM exclusivo, do AM complementado e do AM total durante o primeiro ano de vida.

Quando em condições normais para a mãe e recém-nascido este logo após o parto é colocado nu tranquilamente sobre o abdómen desnudado da mãe, alguns arrastam-se sozinhos, procuram a mama e começam a mamar, fazendo sempre pega correcta e demonstrando habilidade natural para procurar a mama e mamar.

O médico foi o principal responsável pelas causas do desmame parcial precoce (46,7%).

Os resultados deste estudo apontam para a importância da correcção da pega na primeira mamada, sendo este o primeiro estudo com intervenção, realizado em Portugal para estudar a influência da correcção da pega espera-se que tais resultados sirvam para apoiar a prática da amamentação e favorecer o sucesso do AM exclusivo, do AM complementado e do AM total.

 

Contacto com a autora:

Enf. Adriana Pereira, Porto, Portugal

pereira_adriana@hotmail.com

 


Última atualização: 23/11/2010

 

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