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TCC: Aleitamento é ensinado na graduação da Medicina?

Por: Cecília Freire de Carvalho Pinton

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O ENSINO SOBRE ALEITAMENTO MATERNO

DURANTE A GRADUÇÃO EM MEDICINA

 Cecília Freire de Carvalho Pinton*

 Resumo

 Este estudo discute sobre a necessidade de se abordar de maneira mais aprofundada e estruturada o tema Aleitamento Materno durante o curso de graduação em medicina. Destaca a importância do atendimento qualificado do profissional médico para a proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno e sua manutenção. Este artigo resulta de uma pesquisa realizada pela autora a partir dos estudos abordados na Pós-graduação em Aleitamento Materno pelo Instituto Passo 1.  

 Palavras-chave: Aleitamento materno. Amamentação. Educação médica.

 

 1 INTRODUÇÃO

O Aleitamento Materno (AM) exclusivo até os 6 meses de vida e complementado até os dois anos ou mais traz inúmeros benefícios para saúde do bebê e para saúde da mulher que amamenta. É a estratégia isolada que mais previne mortes infantis, um importante indicador de saúde pública. Além disso, está associados a benefícios a longo prazo como diminuição do risco de sobrepeso e obesidade, diabetes mellitus tipo 2, síndrome metabólica e suas complicações (VICTORA et al., 2016). Dada a sua relevância para promoção e prevenção em saúde, esse tema ainda é pouco abordado durante a graduação do curso de medicina.

 

2 O TEMA ALEITAMENTO MATERNO NO ENSINO MÉDICO

 Os currículos dos cursos médicos no Brasil são relativamente padronizados, seguindo as diretrizes curriculares nacionais, porém a educação em aleitamento materno varia muito entre as faculdades pela falta de um currículo mínimo exigido durante a graduação (FRAZÃO et al., 2019). Esse mesmo problema é observado em outros países como EUA e Reino Unido (BIGGS et al., 2020; GARY et al., 2017).

A decisão individual das mulheres em amamentar ou não seus bebês, bem como prolongar o AM além dos primeiros meses de vida, sofre forte influência da opinião e do apoio do profissional médico. Por isso, independentemente da especialidade do médico, ele deve ter uma compreensão básica da importância da amamentação e promovê-la como um importante cuidado de prevenção em saúde. Informações erradas e práticas inadequadas em relação ao AM estão associada a piores taxas de aleitamento.

A formação médica atual é insuficiente em termos de conhecimento teórico e habilidades práticas em amamentação. Os alunos, ao final do curso, entendem a importância do aleitamento materno, porém não se sentem preparados para enfrentar os desafios da amamentação e dar suporte as famílias durante esse processo, principalmente quando ocorrem dificuldades. Muito do que se aprende sobre amamentação depende da experiência dos médicos assistentes e da experiência prática individual com os pacientes atendidos ao invés de um currículo formal de educação em AM.

            Frazão e colaboradores (2019) realizaram uma pesquisa com os alunos do curso de medicina de uma Universidade de Alagoas, realizada através de  um questionário que abrangia diversas áreas de conhecimento sobre AM, para avaliar a progressão do conhecimento médico durante a graduação sobre o tema e observou que o índice de acerto progrediu de forma irregular e se questiona se os acertos ocorreram de forma aleatória, se as informações estão organizadas com um objetivo claro de aprendizado e se os alunos estão sendo motivamos a refletir sobre o que estão aprendendo. E conclui que esse despreparo do conhecimento esteja sendo levado para vida profissional.

De acordo com a pesquisa realizada por Meek e colaboradores (2020) realizada com profissionais médicos e não médicos com interesse em melhorar o treinamento e educação médica em AM foram identificados barreias e oportunidades para a inclusão de conteúdo sobre amamentação na educação médica (APÊNDICE 1).

O ensino sobre AM deve aliar conhecimento teórico e prático, incluindo o manejo dos principais problemas em amamentação e deve ocorrer em vários campos de estágios como maternidade, atenção básica, ambulatórios de amamentação, banco de leite, etc.

A OMS, UNICEF  e Academia de Medicina da Amamentação recomendam que os estudantes de medicina e profissionais médicos devem conhecer as evidências científicas da amamentação como padrão ouro da alimentação infantil,  conhecer a fisiologia da amamentação, os aspectos nutricionais do leite materno, a mecânica da amamentação, compreender o manejo clínico de mães e recém nascidos normais e as influências psicossociais que impactam o início e manutenção da amamentação e devem evitar a criação de barreiras para o estabelecimento do AM (GARY et al., 2017). Os Apêndices 2 e 3, tabelas adaptadas de Gary e colaboradores (2017), resumem as recomendações dessas instituições a respeito dos conhecimentos e habilidades sobre AM que os estudantes de medicina devem ter.

Uma importante estratégia para estimular o interesse dos alunos em estudarem mais sobre esse tema seria a inclusão de mais questões sobre aleitamento materno nas provas de títulos e de acesso a residência médica.

  

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para melhora do conhecimento teórico e das habilidades práticas do médico em formação, sugere-se criar um currículo básico em AM, abordando o tema durante toda a graduação, com aumento progressivo da complexidade, que ofereça ao médico ferramentas para que ele se sinta seguro e preparado no manejo clínico da amamentação, favorecendo o aumento, das taxas de aleitamento materno na população em que irá atender.

  

4 REFERÊNCIAS

BIGGS, KV, Fidler KJ, Shenker NS, Brown H. Are the doctors od the future ready to support breasrfeeding? A cross-sectional study in the UK. International Breastfeeding Jounal, v.15, n.1, p.46-53, mai 2020.

 

FRAZÃO, SIRMANI MELO; VASCONCELOS, MARIA VIVIANE LISBOA DE; PEDROSA, CELIA MARIA. Conhecimento dos Discentes sobre Aleitamento Materno em um Curso Médico. Revista Brasileira de Educação Médica. 43(2):58-66; 2019.

 

GARY AJ, BIRGMINGHAM EE, JONES LB. Improving breastfeeding medicine in undergraduate medical education: A student survey and extensive curriculum review with suggestions for improvement. Education for Health, v. 30, n2, p. 163-168, 2017

 

MEEK JY et al. Landscape Analysis of Breastfeeding- Related Physician Education in the United States. Breastfeeding medicine: the oficial jornal of the Academy of Breastfeeding Medicine, v.15, n.6, p. 401-411, jun 2020

VICTORA CG, BAHL R, BARROS AJ, FRANÇA GV, HORTON S, KRASEVEC J, et al. Breastfeeding in the 21st century: epidemiology, mechanisms, and lifelong effect. Lancet, v. 387, n. 10017, p. 475-490, jan. 2016.

 

 5. APÊNDICES

 1: Barreiras e oportunidades identificadas pelo informante-chave para inclusão de conteúdo sobre amamentação na educação médica

 

Barreiras

Oportunidades

 

1- Relutância em priorizar a amamentação como parte da educação médica e prática

 

2- Falta de confiança dos médicos em suas habilidades e conhecimentos para fornecer aconselhamento sobre amamentação

 

3- Falta de conscientização e apoio do paciente e da população para a amamentação

 

4- Seleção de médicos com interesse em amamentação para Educação Médica Continuada

 

5 – Falta de uma mensagem unificada de todas as especialidades médicas de que a amamentação é a principal e melhor nutrição para o bebê

 

6- Influência das empresas de fórmulas no ambiente de educação médica (por exemplo congressos nacionais) transmite uma mensagem confusa para os estudantes e ao público

 

7- Falta de preceptores de apoio a lactação disponíveis, principalmente em clínicas e hospitais menores

 

 

1- Desenvolvimento de uma instituição específica que defenda a amamentação

 

2 – Treinamento sobre aspectos práticos da amamentação e manejo da lactação

 

3 – Estabelecimento de padrões curriculares sobre amamentação e manejo da lactação para as escolas médicas

 

4- Integração da amamentação à nutrição durante o ensino médico básico

 

5- Inclusão da amamentação e manejo da lactação nos exames certificação do conselho

 

6 – Treinamento em amamentação e manejo da lactação para toda a equipe de atendimento

Traduzido e adaptado de Meek e colaboradores (2020)

 

2:  Competências baseadas no Conhecimentos em cuidados de amamentação para graduandos em medicina.

 

 

12 competências baseadas nos CONHECIMENTOS em cuidados de amamentação para os estudantes de graduação em medicina

 

 

1- Compreender os 10 passos para uma amamentação bem-sucedida (OMS/UNICEF)

 

 

2- Compreender o impacto da gravidez, parto, nascimento e outras práticas de cuidados em saúde nos resultados da amamentação

 

 

3- Conhecer anatomia básica (incluindo a patologia normal e anormal) e a fisiologia da mama (incluindo os hormônios da lactação e a produção e secreção de leite)

 

 

4- Descrever a fisiologia da supressão da fertilidade relacionada a amamentação

 

 

5- Comparar a dinâmica da pega e sucção na amamentação e a mecânica da alimentação com mamadeira

 

 

6- Entender o papel da amamentação e do leito humano na manutenção da saúde e prevenção de doenças (incluindo as substâncias bioquímicas e propriedades imunológicas do leite humano)

 

 

7- Compreender a importância do aleitamento materno exclusivo e sua correlação com uma qualidade de saúde do adulto

 

 

8- Compreender o papel cultural, social e ambiental como fatores que influenciam as decisões e práticas de alimentação infantil (etnia, maternidade, educação, status socioeconômico)

 

 

9- Conhecer as contraindicações para a amamentação baseadas em evidências

 

 

10- Conhecer os potenciais eventos adversos para bebês, mães e sociedade que não amamentam

 

 

11- Conhecer os potenciais problemas associados ao uso de fórmulas infantis

 

 

12- Saber da existência e o objetivo do código internacional de comercialização de substitutos do leite materno

 

Traduzido e adaptado de Gary e colaboradores (2017)

 

 

 

3:  Competências baseadas nas Habilidades em cuidados de amamentação para graduandos em medicina.

 

 

12 competências baseadas nas HABILIDADES em cuidados de amamentação para os estudantes de graduação em medicina

 

 

1- Obter uma história detalhada da amamentação e realizar um exame da mama com foco na amamentação

 

 

2- Reconhecer os efeitos do parto e das intervenções no parto no início da amamentação

 

 

3- Reconhecer o impacto dos procedimentos intraparto e periparto imediato e medicações na lactação (e recomendar medicamentos e opções de tratamento que são compatíveis com a amamentação)

 

 

4- Facilitar e auxiliar na primeira mamada imediatamente após o parto

 

 

5- Reconhecer e corrigir a pega e sucção eficaz no peito

 

 

6- Orientar as mães sobre como estabelecer e manter a produção de leite durante a separação de seus filhos (devido doença, retorno ao trabalho, etc.)

 

 

7- Fornecer orientação antecipada para as mães e crianças que amamentam

 

 

8- Discutir as opções de planejamento familiar para a mulher que amamenta

 

 

9- Debater as causas, a prevenção e o manejo dos problemas mais comuns na amamentação (como mamilos doloridos, baixa produção de leite, baixo ganho de peso, icterícia)

 

 

10- Orientar o momento apropriado para introdução de alimentos complementares e a seleção desses alimentos

 

 

11- Entender os padrões normais de crescimento para bebês amamentados

 

 

12- Conhecer as indicações para encaminhamento aos serviços de amamentação e conhecer os recursos e os serviços disponíveis para ajudar a mãe a buscar informações sobre amamentação e lactação

 

Traduzido e adaptado de Gary e colaboradores (2017)

 

*Cecília Pinton é Pós – Graduanda em Especialização em Aleitamento Materno pelo Instituto Passo1. Piracicaba/SP.    ceciliafcpinton@gmail.com

 

 


Última atualização: 17/11/2021

 

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